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segunda-feira, 1 de março de 2010

Forte e intenso como um soco na cara

Com tantos fãs de quadrinhos, por que até agora ninguém vestiu uma roupa colante e saiu combatendo o crime? A resposta está em Kick Ass, de Mark Millar e John Romita Jr. Não recomendado para os mais sensíveis, a história é extremamente violenta e politicamente incorreta.

Na HQ, somos apresentados ao estudante Dave Lizewski, um adolescente com problemas de identidade e viciado em quadrinhos. Inspirado pelos heróis de papel e visando sair do anonimato, o garoto decide vestir uma roupa de mergulhador e combater o crime, armado de tacos de baseball. Batizado pela mídia de Kick Ass (Chuta Rabos), ele começa a inspirar outras pessoas a abraçar a vida de vigilante e incomodar os mafiosos da região. Nesse ponto, Dave descobre que na vida de super-herói, peito de aço é um dos pré-requisitos...

Explorando a estética da violência, Millar segue a linha de suas histórias e exagera na trilha de sangue e tripas espalhadas pela HQ. Sem contar com os personagens controversos, no melhor estilo amo/odeio. Por fim, Kick Ass terá uma adaptação para o cinema ainda este ano, que para o desespero da molecada, receberá o cruel selo “para maiores de 18 anos”.

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Manifesto contra o efeito Dragonball

Uns dias atrás li O Espírito da Flecha, arco de histórias do Arqueiro Verde (sem trocadilhos), escrita por Kevin Smith. Na trama, Oliver Queen ressuscita e precisa descobrir por quais motivos e por que possui memórias até os anos 80. Como não poderia ser diferente, a série é muito bem escrita e indispensável para os amantes de uma boa HQ.

Porém, sou um militante contra o efeito “Dragonball” nos quadrinhos de super-heróis: matar um personagem e revivê-lo para vender mais revistas. Não é apenas insensato, como um desrespeito ao leitor regular.

Por exemplo, o que aconteceu com o Batman. Quando mataram Bruce Wayne e passaram seu manto para o Dick Grayson (primeiro Robin), achei maravilhoso. Era como presenciar o fim de uma era e ansiar por novas perspectivas de um dos meus vigilantes favoritos. Deu movimento a uma cronologia de quase 80 anos, algo difícil de fazer.

Mas a volta do velho Bruce já foi anunciada, e tudo que ocorreu no último ano passará como um dia no clube ou um bate volta na praia: gostoso, mas dificilmente muda a vida de alguém. A editora vende rios de revistas e a história que se dane. E o pior: essa estratégia é bem comum, visto a quantidade dos heróis que já foram pro beleléu e voltaram pra contar história: Superman, Flash, Lanterna Verde, Capitão América, Nick Fury...

Por fim, fica um apelo: querem vender revistas? Não precisa matar ninguém. É só escrever boas histórias.

P.S.: Ao usar o termo "efeito Dragonball", não estou comparando a obra do Toriyama com a exploração desmedida da morte de personagens de Hqs. Amo Dragonball e usei o termo por ser comum seus personagens morrerem e ressussitarem. Mas mangá é diferente de Hq. No Dragonball, pode!

terça-feira, 15 de setembro de 2009

Vermelho e Azul

Superman e Chapolin. Pronto, não é necessário dizer mais nada.
Este crossover -- encontro de dois ou mais personagens de revistas distintas em uma história -- foi publicado na edição 820 da Action Comics (responsável pelas histórias do Superman) de dezembro de 2004. Desenhada por Carlos D'Anda e escrita por Chuck Austen, essa bizarrice coloca o homem de aço e o polegar vermelho trabalhando juntos (ou não). Confira:

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Uma história de heróis e de outros nem tanto assim

Produção 100% nacional, Holy Avenger está no meu Top 10 de mangás. Seu maior trunfo deve-se aos personagens muito carismáticos, com personalidades bem desenvolvidas e histórias envolventes. Dificilmente os leitores não se apegam a Lisandra, Sandro, Niele e Tork, além dos diversos coadjuvantes. Outro fator que contribui para minha predileção pela série é seu cenário, o mundo de Arton, do RPG Tormenta, no qual mantenho um carinho especial por ser pano de fundo da maior campanha que já mestrei.

A obra apresenta a druida Lisandra, assombrada com constantes pesadelos envolvendo a morte do Paladino de Arton, o herói mais renomado do continente. Para que seus sonhos não se concretizem, ela sai de sua ilha isolada em busca dos Rubis da Virtude, fonte da vida do guerreiro sagrado. Mas o que a jovem não sabe é que sua aventura faz parte de uma conspiração que envolve os maiores heróis e vilões de Arton. Para ajudá-la em sua jornada, ela recruta o atrapalhado "ladrão" Sandro Galtran, a linda elfa Niele e o rabugento Tork, um troglodita-anão.

A HQ foi idealizada por Marcelo Cassaro, J.M. Trevisan e Rogério Saladino, conhecidos de longa data pelos RPGistas como criadores do RPG Tormenta, e ilustrada por Érica Awano. A série também está disponível gratuitamente pela internet, confiram:

Holy Avenger VR 1 e 2: http://bit.ly/14QkFj

Holy Avenger VR 3 e 4: http://bit.ly/n4HPf

Holy Avenger VR 5 e 6: http://bit.ly/SQySb

Holy Avenger VR 7 e 8: http://bit.ly/PmT3V

Holy Avenger VR 9 e 10: http://bit.ly/wbGi1

Holy Avenger VR 11 e 12: http://bit.ly/Sk9FG

Holy Avenger VR 13 e 14: http://bit.ly/uezXE

quarta-feira, 22 de julho de 2009

Babá do Anticristo?

"Se você tivesse a oportunidade de matar Hittler no berço, sabendo tudo o que ele traria ao mundo quando crescesse, você o faria?" Essa é a premissa da HQ Demolidor: Diabo da Guarda, escrita por Kevin Smith e com desenhos de Joe Quesada. Este clássico dos quadrinhos coloca o homem sem medo defendendo um bebê que, segundo uma organização secreta, é o próprio Anti-Cristo. Coincidência ou não, no mesmo momento Foggy Nelson, seu melhor amigo, é preso por assassinato e Karen Page, uma ex-namorada, revela uma notícia bombástica.

O que acho mais interessante no Demolidor, e esta história explora bastante, é a sua moralidade dúbia. Para defender os oprimidos, muitas vezes ele se utiliza de recursos pouco nobres, chegando às vezes a assumir uma postura de anti-herói. "Um homem que se veste de demônio para proteger os justos", de acordo com Mefisto. Outro atrativo da obra é a relação do "vermelhão" com a Viúva Negra, que mostra um lado feminino no qual não estamos acostumados a ver. Sem contar o talento de Kevin Smith para escrever histórias em quadrinhos, deixando visível seu fascínio pelo mundo dos vigilantes de roupa colante. Feita de um fã para os fãs.

quinta-feira, 2 de abril de 2009

Watchmen


Apesar do preço salgado (motivo de algumas brigas com minha namorada, inclusive), vale muito a pena desenbolsar os 120 paus e comprar Watchmen - Edição definitiva! O trabalho está muito caprichado, capa dura, a impressão ficou belíssima, e trás também um apêndice onde Allan Moore e Dave Gibbons, respectivamente o escritor e o desenhista da HQ, descrevem um pouco do processo de criação dessa obra-prima.

Para quem não sabe do que estou falando, Watchmen é considerada um marco nas histórias em quadrinhos por sua originalidade e temática adulta, proporcionando ao leitor uma reflexão: se realmente existissem super-heróis, que influência eles teriam na história da humanidade? Recentemente a HQ foi adaptada para o cinema pelas mãos do diretor Zack Snider, que fez um excelente trabalho.

Em minha modéstia opinião, essa é a melhor história em quadrinhos escrita até hoje (e que acha ao contrário, tem um espaço no fim do post para se maniifestar, ou seja, não é necessário jogar ovos na minha casa, entre outros atos terroristas que possam acontecer). Por isso, não vou rasgar elogios com medo de cair na breguice. Mas quer um conselho: a HQ é imperdível, leia!

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

O reverendo da vida imunda


Forte como um soco na cara, excitante como uma briga de rua e prazeroso como um copo de cerveja no verão. Esse é Preacher, série de HQs escrita por Garth Ennis (que fez do Justiceiro o ótimo personagem que é hoje) e desenhada por Steven Dillon. A revista conta a história do reverendo Jesse Custer, que possuído por uma entidade foragida do paraíso, chamada Gênesis, recebeu o poder de fazer com que qualquer pessoa o obedeça. O que não deixou o pessoal do Paraíso nada satisfeito, e colocou os Céus atrás do reverendo fanfarrão, seu amigo vampiro e sua namorada assassina...

Com personagens cativantes e uma narrativa rápida , Preacher lembra muito os filmes do Tarantino, onde é difícil saber quem é mocinho ou bandido. Se você se sente incomodado com imoralidade, desencane e vá ler Superman. Ennis explora o lado mais sombrio dos humanos, mostrando uma realidade crua, limitada apenas a imaginação dos caras maus.

Por fim, para quem gosta de temas sombrios, histórias cheias de ação e sarcasmo, Preacher é um prato cheio. Se não acredita em mim, a série só ganhou o prêmio Eisner de Melhor História Contínua, Melhor Roteirista e conferiu a Glenn Fabry o de Melhor Capista.

sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

Pra esquentar...



Para abrir o blog, decidi começar por uma HQ que me fez matar saudade dos tempos de boas histórias Homem Aranha: Caído entre os mortos, de Mark Millar (o mesmo do O Procurado). Na história, após a prisão do Duende Verde (o que rendeu a Peter alguns machucados e gastos com analgésico), tia May é sequestrada e o amigão da vizinhança tem que correr atrás do tempo para salvá-la, além de descobrir quem o sacaneou. Até aí, sem novidade. Porém, a humanidade que Millar pôs no personagem, que em seu desespero faz aliança até com alguns vilões, me fez lembrar do tempo em que o Aranha comia cachorro-quente com o Demolidor, num dos becos da Cozinha do Inferno. Apesar de despretenciosa, a história traz elementos que há muito eu não via numa revista do Araquinídeo, como um herói adulto, desesperado e cansado, contrastando com aquela visão do Peter adolescente, cheio de vigor. Vê-lo cuidar das contas de casa, trabalhar, e encontrar tempo para bater em supervilões é espetacular.

Digo tudo isso pois há algum tempo me decepciono com o que a Marvel com um dos meus personagens favoritos, transformando-o num Peter Pan e bagunçando toda sua cronologia. Não falo por saudosismo, mas toda vez que acontece algo na vida do Aranha que representa envelhecimento, os caras dão um reset. Já sumiu uma filha, tia May já reviveu diversas vezes (sem falar do Harry), e recentemente acabaram com o casamento do cara. Vejo isso como um desrespeito ao leitor, que está cansado de engolir pactos com o Mephisto, clones e fugas miraculosas. Se a desculpa é atrair novos leitores, o universo Ultimate está aí para isto.